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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ano novo


Chega  ao fim de mais um ano, mais um ciclo que se encerra e maior a minha perplexidade diante de gente que diz, ‘ah, mas esse foi o pior ano da minha vida, espero que ano que vem seja melhor’, gente que repete isso há anos.
Os anos são uma maneira de dividir o nosso tempo, facilitar o registro, a contagem, assim como os meses, as semanas, os dias, as horas mas tudo isso faz parte de um mesmo ciclo – você está lendo esse texto e está um dia mais velho, amanhã quando você acordar, terá envelhecido mais um pouco, estará mais perto do fim, mais longe da juventude naturalmente e o seu papel diante disso não é se deixar levar, deixar acontecer – viver é resgatar.
Um dia mais velho é também um dia mais sábio, não há como se tornar experiente sem ter vivido, ouvido, observado, sem saber aproveitar aquilo que está diante de nós dia a dia. Todos os anos serão ruins, desinteressantes, sem brilho, sem novidades para quem não está disposto a resgatar a beleza que se esconde atrás de um rosto cada dia mais velho, resistente aos melhores disfarces – nada é bom pra quem não sabe onde chegar. Sem metas, sem planos, sem alvo e sem destino, nada é suficientemente agradável para alguém que não tem noção do que é bom e satisfatório.

Aquela criança arrumadinha, desprotegida, que se sentia corajosa, forte, livre de todo mal e cheia de pureza não fica pra trás, fica pra dentro. Quanto mais a gente envelhece, mais lembranças e mais cheio fica o nosso interior de lembranças do passado. As rugas significam isso, é o tempo de se libertar, colocar o peso pra fora, aquele peso que carrega o rosto, o peso do amor, das lembranças, do sorriso e o mais cruel, o peso da saudade – viver é também carregar muitas despedidas dolorosas.  Toda beleza está em saber ver o tempo, admirá-lo enquanto se está, inevitavelmente preso nele enquanto os ponteiros arranham mais o peito em cada avanço – todos os dias dão a mesma volta  e permanecem jovens, os relógios não sabem onde querem chegar, mas nós sabemos bem pra onde estamos sendo levados: pro fim, pra beleza de se tornar eterno.

2012 foi o ano mais incrível, imaginei que nada superaria meu 2011 e o intercâmbio, os ares europeus, os novos amigos, a nova casa, a nova cidade e tudo novo, mas 2012 me trouxe de volta o velho amor, mas com roupa nova, tudo novo.  O ano em que fui escolhida para ser a mulher dele a vida inteira, fui pedida em casamento e a cada dia só vejo as coisas caminhando pro melhor, em todas as áreas.
Há um alvo fixo para todos os anos: ser melhor. Não há ano ruim para quem está disposto a melhorar, para quem se permite ser melhorado.
De braços abertos, olhos atentos e um sorriso fixo e bem aberto eu espero por 2013, sei que será melhor – a tendência é melhorar, prosseguir para um futuro cada vez mais doce.
Amor é a resposta.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Doce solidão

A vida tem dessas coisas.
A gente se prepara, se arma, se desarma, abre a guarda, acalma o coração e aí já é tarde demais.
Há quem diga que o tempo está sempre a favor das nossas escolhas, do nosso ritmo, mas isso serve apenas como consolo para um coração já cansado.
Ela já estava desanimada, entristecida, tantas vezes calçou os sapatos e decidiu caminhar sem rumo, pelo tempo que fosse preciso, esperançosa pelo alívio, a cada novo passo desejava que as dores diminuíssem - tudo em vão.
Atendia telefonemas diários, dava um tom adocicado e suave a voz, nunca era ele, nunca ligou, nunca cumpriu - e tantas vezes o coração veio até a boca e teve que ser engolido desatando o nó na garganta, dilacerando, cortando, impiedosamente. Vestia a camisola de seda, fazia uma maquiagem leve, pintava a cara de esperança, perfumava-se com expectativa, dava um ritmo novo as suas noites, preparava um jantar e uma cama para dois - em vão, ele nunca chegou. Dormia e, todas as manhãs, involuntariamente, estendia o braço pela cama imensa, tocava nos lençóis - ele não apareceu durante a madrugada.
Criou uma falsa expectativa e, numa manhã entediante de domingo, ligou para a floricultura e pediu flores para si mesma. Cansou de esperar pelo que nunca chega, apaixonou-se por si mesma, pelo coração incansável, pelas borboletas que viviam e morriam no seu estômago todos os dias, pelo cheiro de paixão, pelo gosto do desejo - foi pedida em casamento pela solidão, juraram amor eterno.
Ninguém  jamais seria capaz de entender quão longe ela estava - já era capaz de ensaiar os primeiros passos de um voo, descobriu-se com asas.

E cantarolava todo fim de tarde, desafinada mas a plenos pulmões:
"Ah, solidão, foge que eu te encontro que eu já tenho asas. Isso lá é bom? Doce solidão."

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A não reciprocidade

Não sei quem inventou que amor é baseado na reciprocidade. É uma loucura essa ideia de esperar o outro fazer para que comecemos a pensar na nossa atitude; isso é disseminado como amor próprio, uma tentativa de se encontrar e se conhecer mas 'me diz cadê você aí?'.
Essa é a receita (infalível) da solidão.
Amar não é retribuir, é entregar sempre. Independente do que tenha sido recebido, amar é devolver só amor e em dobro, em doses imensas, até paralisar - amar é paralisar. Paralisar o medo, a insegurança e ser forte a ponto de não se importar se vai ser retribuído, se vai durar, se vai acabar numa esquina qualquer ou vai recomeçar a cada fim de tarde.
Se não é assim, não é amor, é qualquer sentimento enlouquecedor que enche o coração de lixo.
Os corações estão cheios de lixo, (i)recicláveis - estamos sendo ensinados pelos contos de fada, pela TV, pelas comédias românticas um jeito certo e preciso de amar, as decisões a serem tomadas e até o jeito patético de fazer o outro feliz (sim, existem receitas prontas para fazer o outro feliz). Está tudo errado, é preciso sublimar tudo que foi aprendido e deixar nascer em nós o jeito certo de completar, fazer feliz e se doar, um jeito só seu.
Enquanto isso sigamos doando porções dobradas de amor, é aquilo que não pode ser acumulado, tem que ser doado para multiplicar - quanto mais se dá, mais se tem. Sem pressa, sem egoísmo, sem vaidade e num jeito doce e manso de caber ali no mesmo lugar, no mesmo abraço, no mesmo corpo, de morar no mesmo sorriso todo dia, todo dia, todo dia, todo dia.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

É amor, eu sei


Você sabe que é amor quando ele te transborda.
Não é se sentir completa, é se sentir plena, transbordando, não cabendo num corpo só. Mas toda essa loucura acontece num silêncio e numa calmaria que são assustadores.
É amor quando o cheiro dele fica em você e aí você se pega sorrindo, desejando aquilo todos os dias, pela vida inteira, mas sem pressa, sem urgência, no tempo certo, sem desvarios.
Acontece apenas uma vez na vida e, até os mais frios e racionais se rendem e admitem: vivi até aqui só pra descobrir você, conhecer você e pronto, tudo que vier depois é consequência, não é tão importante como ter ao lado o grande e esperado amor, que desconstruiu mitos, que jogou fora o seu medo, que te fez enxergar mais longe, projetar com mais cuidado,ouvir com mais carinho, falar com mais cautela.
É ele dizer que você é a melhor de todas, a mais bonita, a que se veste melhor, a que melhor sabe se maquiar, o cabelo mais cheiroso, o corpo mais bonito, o sorriso mais lindo e que tudo serviu pra ele te amar mais e se apaixonar ainda mais.
Não há nada melhor que sentir que o seu sorriso preenche o olhar dele, que a sua voz é melhor que o som do carro tocando a música de vocês, que o seu cheiro é mais interessante que qualquer outro - só quem já coube no amor de alguém, completou o espaço exato de pertencer ao outro, se sentiu plena, completa, transbordando, só quem já viveu isso sabe o quanto vale a pena esperar pelo grande amor.

Finalmente, você de novo, nós pra sempre.

<3

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O reencontro



Chegou num dia qualquer, quando a rotina já tinha sufocado e o sol muito forte, o calor intenso do meio dia tirava a vontade de viver, de sorrir e cobriam tudo com aquela melancolia, a queda de pressão e o desejo avassalador de um quarto escuro, gelado e sua cama macia, vazia.  Chegou quando não tinha nada preparado, quando as evidências se esconderam e nem a lógica poderia acertar, não era passível de previsão, não tinha mais razão e nem motivo – chegou quando a segurança pestanejou e fugiu, quando o coração resolveu se acomodar.
Era um choque a mudança de ares e a confusão era grande, não sabia onde colocar as malas, não sabia o que fazer com aquele vestido preto, elegante que outrora foi tão útil, não tinha espaço para o coração que chegou renovado de tão longe, não cabia em nada, só o espaço de você preencher que continuava aqui, tão seu.
Não deveria acontecer, mas a cada nova canção o arrepio era inevitável, incontrolável, era muito forte ver você caber num refrão qualquer – tanta fantasia.  E como se fosse proibido, como se fosse a primeira vez, como se nunca tivessem se visto, se permitiram o reencontro. Dessa vez de malas cheias e sem culpa, sem muitas perguntas, pouca vontade de responder e um estranho desejo louco de ficar a tarde inteira se olhando, se olhando, se olhando, se olhando... No dia que o coração decidiu deixar que os olhos fizessem tudo primeiro, o primeiro beijo, o primeiro abraço, a primeira lágrima de saudade e a pergunta que gritava toda vez que se viam – ‘como conseguimos ficar tanto tempo separados?’. Ninguém se completava daquele jeito, nenhuma voz tinha o tom ideal, nenhum defeito tinha a medida exata de se tornar suportável, nenhum abraço acolhia tanto.
A vida inteira será pequena e não terá espaço suficiente pra abrigar a gratidão por estarem juntos novamente, tão completos, tão dispostos e longe dos olhos invejosos, dos corações tão sufocados por espinhos, dos sorrisos amarelados ; perto de quem consegue sentir cheiro de amor, de quem é capaz de deduzir eternidade, de quem é capaz de ler sorrisos e olhares que brilham tanto cheios de coragem pra caminhar por qualquer estrada desde que o destino seja o ‘pra sempre’.

domingo, 13 de maio de 2012

Do orgulho e suas mazelas


É essa falta de foco, essa falta de amor, essa falta de visão que me deixa assim: desejando me livrar do problema, mas sem meios.

Se não fosse essa dose que me falta de cegueira e inocência, de ingenuidade e se eu não tivesse esse ‘sexto sentido’ apurado que me afasta logo das ciladas, mas que não me permite enxergar, ao certo, onde é o alvo que deve ser acertado. Não é só uma questão de ignorar, se fosse eu já teria superado muitas coisas, não é só manter a 'política da boa vizinhança' porque tudo em mim criou uma aversão a vizinhos e cada pedaço quis construir sua casinha num terreno longe, sem ninguém, sem barulho, sem passado e só com possibilidades mil no futuro. Se não fosse esse abraço que não sai e esse sorriso que se esconde, se não fosse essa mania idiota de se esconder em teorias pra fugir de um pedido simples de desculpa e pensar que isso pode mudar, acomodar e dar um péssimo rumo a tudo.

É distante, mas a ideia de acertar o caminho vem sempre acompanhada de se despir, de se deixar, de não querer, de matar um pouco de você a cada dia e arrancar aquela parte venenosa que mata um pouco a cada dia mas o comodismo insiste em pintar tudo isso de flor, o orgulho insiste em regar, seus olhos enxergam miragens e seu coração fica distante da meta.

É muito duro, mas é só pra se defender. É amargo, eu sei, mas eu engulo e é só pra me proteger.

domingo, 8 de abril de 2012

Nossa canção

É como aquela música que toca mil vezes, eu ouço, canto junto e repito sem nunca enjoar.
Você é o autor da música que meu coração insiste em sentir toda vez alguma coisa em mim se liga a você: seja um pensamento bobo do meu dia, o bilhetinho escondido em alguma coisa pra te fazer surpresa, a dancinha sem graça que inventei pra arrancar um sorriso seu e aquele momento que, quando você finalmente sorri, tudo em mim desaparece e o desejo é de fazer eterno.

Ainda bem que você voltou, finalmente.
Agora eu sei quem roubou meu sorriso sincero, meu equilíbrio, a sensação de completude e as borboletas no estômago. Hoje eu aprendi, finalmente, que amor é enxergar os defeitos e associá-los imediatamente a um defeito seu e nem começar uma briga, afinal, seu ponto fraco também está muito perto. Amor é se sentir completa e ter a eterna sensação de casa arrumada, limpa, pronta e à sua espera e isso, meu caro, só se sente uma vez na vida e é algo tão sossegado que há quem confunda e espere mais, espere a loucura, a paixão e abram mão do grande amor.

O meu desejo é esse sossego e essa calma de você, essa força escondida que mantém meus pés tão firmes caminhando em direção a essa coisa curta, breve e pequena diante do que desejamos juntos: o pra sempre.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Intimidade


Se engana quem pensa que intimidade é tirar a roupa pro outro, intimidade é muito mais.

Ser íntimo de alguém exige muita coragem pra derrubar todos os degraus que existem até chegar, finalmente, lá.
Ter intimidade é não ter medo de tomar banho de chuva seja que horas for, é não se importar com a personalidade maluca que seu cabelo vai assumir, ou no quanto aquele sutiã por baixo da blusa branca é brega e se o outro vai reparar.
Ter intimidade é despir a alma, abrir cada botão da razão, despi-la sutilmente e deixá-la confessar: confessar que tem medo do escuro, de quem é de verdade, do quanto é desapegada, racional e irritante. Confessar que antes de dormir pensa em você, coisa rápida mas viciante e que vai ser breve enquanto confessa isso tudo (e já ser mentira, mentirinhas de mulher. Aquelas docemente perdoáveis que não passam nem perto do pecado).
Confessar que é fria e desapegada e quer ficar ali, juntinho, mas tem medo de enjoar. Encher o outro de medo e depois fazer sumir isso tudo num abraço.

Ter intimidade é não ter limite de nada, é abrir mão de todas as reservas sobre você e acreditar que o outro será fiel, sempre seu, sempre do seu lado. Não há mais tempo pra se arrepender do que foi confiado, não há espaço pra implorar ao outro pra esquecer as coisas bregas, as gargalhadas altas e os gritinhos no início do ataque de cócegas, o choro copioso de qualquer bobagem que a TPM fez ficar imensa e no dia seguinte te trouxe aquela ressaca moral e a vergonha imensa.

Ser íntimo é escolher quebrar as barreiras que guardam aquilo de mais precioso que há em nós: a essência de nós mesmos que está no (fundo do) coração.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Coração com escamas


Chega um momento que as coisas que cabiam perfeitamente nos mesmos lugares não cabem mais, e o motivo disso é muito relativo: há quem ache que os espaços estão maiores e
há quem veja que os espaços estão menores, mais estreitos.
Não há nada mais para saber além de: é preciso caminhar, é preciso caber perfeitamente, é preciso se encontrar onde nunca houve encontro, é preciso fazer com que seja novo mas da maneira mais natural possível - que seja novo com meu corpo, minha alma e tudo em mim reconhecendo que não há nada sendo repetido. Novo, no sentido pleno da palavra, mais puro.
E quem deve ter medo de dores se a felicidade quando vem funciona exatamente como um bálsamo, deliciosamente cicatrizante, suavemente confortante, apagando aquilo que outrora parecia não ter fim e nem cura?

Felicidade, meu caro, só é sentida plenamente quando pode vir e agir com tudo que pode, quando tem espaço pra firmar suas bases e desfazer o que antes era visto como irreversível, o avesso da dor.
Não há mais encaixe e enxegar isso é comum, difícil é se posicionar, não se acomodar.
Não é bom 'deixar pra lá' uma coisa que incomoda e, principalmente, sentenciar-se acerca de algo porque tudo lá fora acha que está perfeito - a beleza, a harmonia, a empatia e o amor não podem caber em qualquer olhos,
é preciso ter olhos atentos e fortes e só enxerga isso aqueles que estão envolvidos profundamente no processo de reconhecimento.
O meu desejo pra hoje é: olhos atentos, mãos firmes, coração aberto e com o tempo necessário pra bater num ritmo novo. Nada como antes, nada de rotina, tudo novo.

Que as dores sejam do tamanho da felicidade quando chegar, que todas as escamas desse coração em carnaval caiam e ele esteja nu e machucado, mas tudo isso apenas pela beleza de enxergar mais à frente: hoje existe um coração nu, mas não há nada capaz de impedir que as escamas nasçam de novo e mais bonitas, novas, fortes e maduras. Nenhum caminho pode ser feliz demais se não houver dor.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A ideia de recomeçar

Abafou a dor como se ninguém precisasse saber que aquilo doía, que ela sentia. Criou mil teorias que justificassem a ausência de dor, a pressa de recomeço e camuflou, de um jeito bem bonito a ferida mais feia e aberta que havia.
Mas esqueceu que o tempo sabe onde ficam as feridas e quando tudo resolverá derreter, toda maquiagem sumir, todos os curativos se tornarem ineficazes e provocar aquela imensa bagunça: a razão se perde entre tantos caminhos e nenhuma alternativa realmente eficaz e o coração fala mais alto querendo gritar aqueles medos.
O coração não sente necessidade de colaborar e a torna boba, amarra a razão com correntes de prata e a deixa sentada no cantinho da parede, como se fosse um castigo eterno, como se nunca mais fosse conseguir sair dali e institui a bagunça: transforma seu rosto quando o vê, desacelera e acelera sem o menor critério, enche seu estômago de borboletas nervosas, pinta seu rosto com um vermelho indiscreto e acentua o rubor das maçãs do seu rosto pra que fique claro, óbvio, pra que seja um grito alto, abafado e estridente.

Quem vê aquele sorriso e aquela doçura não imagina que, no seu interior, tudo está prestes a sucumbir. Não há quem consiga imaginar como é ter a razão amordaçada e todas as teorias fundamentadas em argumentos ridículos ou contundentes foram colocadas em desuso da maneira mais cruel.
Ninguém consegue imaginar que o amor chegou.

sábado, 30 de abril de 2011

A magia do recomeço


Nunca se sabe quando a vida vai decidir te fazer parte dela muito intensamente, não se sabe quando o amor vai bater a sua porta e te fazer voltar atrás, mudar conceitos, aprender e descobrir da maneira mais doce e plena o verdadeiro sentido da palavra: maturidade.
Os caminhos são diferentes de qualquer um já trilhado, os ares são diferentes mas o desejo de ir além, de romper limites, de derramar porções imensas de orgulho sobre aqueles que torceram e choraram juntos: o amor ainda é o maior alvo.

E hoje, essa postagem tem como objetivo maior a gratidão, eu já havia me esquecido de como era se sentir tão querida, de poder servir com verdade e ser cuidada da maneira mais sincera e até constrangedora por pessoas novas, que entram pra não sair mais. Amigos são sempre bem vindos e quando destroem os castelos de pedra que nos envolvem com sutileza e muito afeto faz desmoronar uma série de teorias bem construídas mas que não se sabiam tão mal fundamentadas. A intensidade faz tudo ter uma proporção maior, e pra quem tentou se fechar - fugir de qualquer possibilidade de se envolver porque isso é passageiro demais, rápido demais, lindo demais, forte demais - eu já estou demasiado envolvida e apaixonada.
A chance de fazer tudo de novo, agora sendo 'gente grande', é para poucos, e eu preciso aproveitar isso de uma só maneira: ser inesquecível por ter causado overdose de sorrisos, felicidade, amor, cuidado e saudade. Sentirei saudades demais.

Postagem dedicada aos amigos que fiz em Coimbra, inesquecíveis.
Obrigada, Mari, pelo novo layout do blog! Gostaram?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Coimbra


Fazer intercâmbio é descobrir o quanto você é composto por partes e saber exatamente onde está cada uma delas - não saberíamos se não nos afastássemos, seria sempre cômodo e confortável demais.
Quando entrei no avião eu fiquei encantada, assustada e depois muito nervosa porque a poltrona era pequena demais e o ar condicionado muito forte, o resultado disso foi: nariz sangrando, rinite atacada e uma aterrissagem digna de esquecimento.
Cheguei, não tão bem mas cheguei.
O resultado da longa espera no aeroporto de Lisboa por Ana me fez refletir o que eu tava fazendo e a pergunta foi: como assim? o que é que eu tô fazendo aqui? cadê minha mãe? e eu caí no choro, longo e demorado mas me olhei no espelho, me arrumei novamente e disse pra mim mesma: Levanta, menina, aproveita porque qualquer um queria estar no seu lugar, não desperdice isso. E saí curiosa andando pelo aeroporto e ouvindo o português correto (e superior sim!) e que se conservou... os tempos verbais corretos, as vozes corretas - impecável e longe de erros ortográficos e orais - fiquei fascinada.
Cheguei em Coimbra e sofri ainda mais pelo frio, tenho presenciado as temperaturas mais baixas que poderia pensar e posso garantir que isso é uma tortura pra uma baiana, acostumada com um calor (in)suportável.
Ter o seu espaço, ver que tudo depende de você inteiramente: o quarto não se arruma sozinho, a comida não se apronta sozinha, a cama não se forra sozinha, as roupas não se lavam e todas as coisas que não fazemos em nossa casa porque há quem faça por nós: aqui aprendemos o peso dessas pequenas coisas e a falta que nos faz alguém que tem experiência nisso.
Cadê a comida de minha mãe e minhas roupas muito cheirosas? Ela usava amaciante? Como se lava roupa? E rir dessas perguntinhas que parecem bobas, estar distraída e matar a saudade enquanto dorme, quando seus sonhos levam você pro colo de sua mãe, pras palhaçadas de seu pai, pras brigas com seu irmão e para o amor, o colo, o beijo, o carinho e a eternidade que cabem no seu namorado. Mas o melhor amigo de todos veio comigo: o Espírito Santo, não existe parceiro melhor, mais sábio, mais carinhoso, mais consolador e perfeito.

O que eu posso adiantar é que a experiência está sendo incrível e não me permito sofrimento e nem saudade demais porque meu objetivo aqui é a superação.
Obrigada, UEFS, por acreditar em mim e nos meus sonhos, será sempre inesquecível todo apoio, carinho e cuidado de você comigo nessa caminhada - vocês vão além de uma instituição, além das fardas e das funções e rompem os limites estabelecidos. A UEFS será vista por mim como uma 'mãe acadêmica', muito além das minhas expectativas, serei eternamente grata por essa oportunidade e honrarei cada gota de esperança que foi depositada em nós, intercambistas.
Aos meus amigos, em especial Camila, Vanessa, Renatinha, Paula, Murilo, Nathy, Cássio, Midi, Patrike, Bruna e Raul (sempre Raul!) obrigada pelo carinho e pela força, quero dividir toda felicidade que sinto com vocês.
E à minha família, não sei nem o que dizer: não há nada além de vocês, nada que eu possa dizer, fazer, escrever, nada. Obrigada, eternamente, pelo sacrifício, pelo apoio, pelo cuidado, pela cumplicidade que vai além do oceano, pelo suor, pelas lágrimas - minha vida, meu esforço, todo brilho que possa existir nessa experiência é por vocês.
E Ciro, você é o grande amor da minha vida e me prova isso a cada momento que prefere dividir comigo, cada bobagem, cada carinho e taaaanto amor que só você sabe. Não há distância que me faça esquecer você, só lembrar e me apaixonar cada dia mais e mais - isso aqui é também por nós dois.
E a Jesus, o autor de tudo isso, toda glória, o mérito é dEle, eu sou apenas um instrumento.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Amor e Paixão

Não, meu amor, não vai passar - eu prometo que não vai passar.
O tempo de querer você será sempre o mesmo, não passará o desejo, a necessidade do abraço, do encaixe, do cheiro, das mãos dadas, do desejo imenso que não caiba no espaço de te querer.
Caberá a nós dois a tarefa de manter os olhos fechados e fingir que não sabemos que a paixão há de passar, o amor há de fazer morada quando a razão se sentir confortável - não estou vendo onde hemos de chegar, não tenho consciência e nem você terá, não cobremos respostas e nem explicações.
E se tudo passar, seremos os cúmplices mais honestos, a dupla mais eficiente, a morada perfeita para o amor, a casa de portas abertas para a paixão, a parede em branco que há de alaranjar-se em todo fim de tarde e reagiremos com surpresa, sem esperar, sejamos puros e nos surpreendamos - o segredo da paixão é conservar a surpresa e sufocar a rotina sem pena, com todo desejo e todo mistério da paixão e da sua passagem (incerta, instável) ao amor.

Onde quer que eu esteja, amor, os meus melhores desabafos e as mais doces confissões serão suas.

sábado, 25 de setembro de 2010

Perguntas para decifrar uma paixão

Eu nunca te disse que seria fácil. Pode parecer conto de fadas mas as coisas são muito reais e estamos lidando com humanos, humanos cheios de amor, mas humanos.

E se eu chorar? Posso inundar você de lágrimas? E de repente ver meu porto seguro sucumbir e nadar até te encontrar de novo, descobrir que me perdi e mergulhar e te achar bem no fundo de mim. Posso ser humana com você?

Posso deixar o vento assanhar meu cabelo, você vai saber rir na medida exata e me deixar vermelha e depois esfriar minhas bochecas com um olhar apaixonado, bobo, derretido? Você sabe me matar devagarzinho?

Sabe me enganar com mentirinhas de amor? Sabe fazer surpresas? Sabe me fazer passar mal de rir?

Você está apto a quebrar minha dieta com um jantar bem delicioso e depois me dizer que eu estou linda e magrinha, e jurar que aquele jantar quase não tinha caloria?

Você saber fazer cócegas?

Vai notar quando eu corto as pontinhas do cabelo?

Você sabe me pegar pela cintura quando eu me desequilibrar de um salto imenso que eu pus pra te impressionar e provocar um calafrio discreto, quase imperceptível e me fazer pensar que é coisa da minha cabeça quando meu corpo inteiro e minha cabeça estarão imersos, loucos, cegos e absortos numa paixão daquelas, avassaladora.

Se você for tudo isso, eu quero.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Casulo



Meu casulo está cada vez mais quentinho, mais aconchegante e eu sei que o ar tem se esgotado. Tenho plena consciência do quanto a solidão tem se tornado complicada, densa e ao mesmo tempo se dissipa em uma fumaça multicolorida de origem desconhecida.

A vida aqui nesse casulo, meu caro, é cada dia mais confortável. Às vezes eu sinto que tudo pode se romper, que alguém pode ousar mexer no que eu preservo e escondo,
temo que descubram o acesso ao meu aconchego, temo pela perda de paz e pelo peito aberto, temo. O que me amedronta ainda não tem definição, mas ultimamente eu tenho pensado no que me trouxe até aqui além das feridas - cada vez que eu me feria procurava uma maneira de amenizar a dor, nem sempre curar a ferida mas sempre amenizar a dor - a solidão sempre me acolheu tão bem que meus pés já sabiam o caminho do casulo depois da terceira ferida.
Palavras, sempre elas. Quem me conduz a outros mundos, fala por mim, diz o indizível, mexe no impossível, também me conduz pra mais profunda solidão e a mais bem disfarçada por elas mesmas. Quem poderia imaginar que eu estou aqui também? Quem diria que tem uma vizinha como eu nessa comunidade tão imensa? Eu sei que somos milhões, milhões de rostos presos, de cabeça pra baixo e coração bem mais pra baixo ainda, cheio de defesas, cheio de proteção: não quero acreditar de novo, não quero ouvir de novo, não quero me apegar de novo, não consigo apanhar mais uma vez, não suportaria mais um naufrágio.

Ei coração, fica quieto e só arrisque nas teorias, contente-se com suposições e que fique apenas na sua imaginação esses devaneios. Quando você sentir um outro coração, assim, bem pertinho, bem quentinho, com cheiro de café e abandono, com poeira e aquela música tocando na vitrola, aquela velha canção que já embalou amantes apaixonados mas hoje canta sozinha pra um coração apertado, compacto, sem exigências, que saiba caber direitinho no meu cansaço e que me revigore sem querer, sem saber, sem sentir - é amor.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

Amor de Inverno




Um banho muito quente, o banheiro preenchido pela fumaça, os seus espaços mais secretos desvendados por uma umidade que não pede licença e embaça até a sua imagem refletida no espelho. Um banho quente, nesse inverno tão frio, um pijama também quente – combatamos o frio em nós, sem dó.

Depois de um dia em que a mente se sente cansada e propaga isso pelo corpo inteiro, um cansaço que alastra-se pelos poros, pela pele, pelas veias, que abate os olhos, que faz os ossos doerem – aquele cansaço que ousa mexer nas esperanças, que dissolve a vontade de tentar de novo e a idéia fixa de recomeçar, outrora tão viva e acompanhada da sensação de que seria eterno. A mente se cansou de tentar evitar aquelas idéias fixas, aquela mania que ela não sabia de onde vinha, a estranha mania de eternizá-lo e acreditar que daria certo. Um dia de conflito intenso, todos os pensamentos se transformavam nele rapidamente.

Vestiu meias grossas, se sentiu quente, confortável. Foi até a cozinha e pensou no que faria pra comer, sopa, fondue, chá, mas dentro dela nada era aceitável, mantinha a estranha idéia de que tudo só poderia ser feito a dois, afinal, foram muitas as noites em que o frio do inverno significava dizer adeus a solidão. Dormia acompanhada, comia acompanhada e o imaginava que o tempo era fechado, os dias eram fechados e não era necessário fazer o corpo sofrer, fazer o coração chorar de novo. Buscava amores de inverno, julgava-os mais úteis que os de verão. O verão é iluminado e alegre, cheio de amigos e opções de lugares, bares, festas, praia – a solidão descansa, nem incomoda- mas o inverno junto com a solidão seria fatal. Depois de tanto pensar decidiu preparar um caldo com ervas, desses que vendiam pronto, era só adicionar água fervendo que parecia estar fresco. Ligou o som e se deparou com a música que dizia Veja bem além desses fatos vis, saiba, traições são bem mais sutis – se eu te troquei não foi por maldade, amor, veja bem, arranjei alguém chamado saudade’, depois desses versos, o frio que tentou evitar percorreu todo o seu corpo em forma de arrepio, um arrepio de saudade, de vontade, de nostalgia.

Era pra ser só mais um amor, só mais uma aventura nesses dias frios mas ela se entregou além do planejado. Fez o que não julgava necessário, pediu o que jurou que nunca pediria a mais ninguém, dançou, amou, beijou, se entregou como nunca. Tudo isso nos braços de um desconhecido que quando lhe tocava fazia todo o seu corpo decifrá-lo como um amigo íntimo, um pedaço dela esquecido em algum lugar, em alguma parte do tempo. Viveram juntos por três meses, dividiram o edredom, as sopas, as meias, a cama, o amor – o amor que quanto mais era dado mais se multiplicava e virava uma sede, uma gana, um desejo insuportável de fazer o outro feliz, um vício, uma doença – ele. Se apaixonava a cada dia e de uma maneira tão avassaladora, tão forte, tão intensa, características de uma paixão – a paixão, esse primeiro estágio tão doce do amor, tão irracional... há quem deseje ficar estagnado nele a vida inteira, que o amor nunca chegue, nunca vire esse costume, que seja sempre paixão, que doa o coração, que machuque mesmo, que seja intenso.

- Sabe, eu nunca esperei nada de você. Disse ele, após acordar ao seu lado com os olhos ainda inchados e brilhando de uma maneira tão ímpar.

- Você não espera nem amor, nem cuidado, nada? Então o que te atraiu em mim, o que te fez querer compartilhar, dividir comigo a sua vida?

- O que me atraiu em você foi o que os seus olhos disseram, você nunca foi boa com as palavras, nunca me prometeu amor.

- O que você espera de mim?

- Continuo sem esperar nada de você. Sabe, meu bem, acordar ao seu lado e poder te fazer feliz é o que eu espero de mim em relação a você, eu nunca me frustrarei com as expectativas que eu criar em relação a mim mesmo, mas nunca saberei o que esperar do outro, o que esperar de você. O que eu fizer com você vai voltar pra mim. Quando é amor, amor mesmo, os corpos se comunicam, os sentimentos se comunicam e a troca nunca é algo desequilibrado.

- Eu espero muito de você.

Os olhares se afastaram e o coração dele batia mais forte, tinha pavor a expectativas, esperanças, tinha mesmo era medo do amanhã. Não era bom que alguém esperasse algo de outro alguém, pra que serve essa esperança? Porque não deixar que o destino prove se haverá mesmo troca, se é mesmo genuíno ou vai passar? A partir dessa manhã, uma manhã de agosto, ele não conseguia mais seguir adiante com sinceridade, sentia medo. E se culpava por começar uma conversa que a fez confessar o que seu coração não estava preparado pra ouvir. As manhãs nunca mais foram as mesmas, os diálogos foram julgados desnecessários, as conquistas foram julgadas bobas, vãs, pequenas. Os corações estavam cada vez mais distantes.

Numa tarde de sábado, enquanto ela fazia compras, escolhia as melhores comidas prontas, as melhores opções de um prato quente e planejava dedicar a sua tarde a compras e a preparação de um jantar lindo, cheio de vontade de trazer a paixão de volta, a paixão que em algum momento sumiu junto com a sopa, evaporou junto com a fumaça dos banhos quentes na madrugada. Neste sábado, ele fazia as malas, junto com todas as coisas boas que viveram juntos, tentando fazer renascer aquela esperança, pensando até num novo amor, alguém que também não buscasse tanto, não esperasse tanto como ela.

Partiu, como todos os amores que deixam a paixão de lado e alimentam-se da venenosa rotina. Deixou um bilhete, era só o que conseguia fazer:

Meu bem,

Desculpe-me a covardia – eu estou indo. Não quis olhar nos seus olhos porque eu tenho muito medo da frustração e sabendo que você não esperava a minha partida, certamente eu teria diante de mim uma grande mulher chorando por uma decepção, por um homem covarde que não sabia mais o que tinha feito com a paixão. Eu deixei morrer, eu matei lentamente ou perdi e não faço a mínima idéia de onde tenha ido parar- pode ter descido pelo ralo da pia junto com a sopa, pode ter se confundido com meus papéis no bolso da calça, com meus documentos no escritório, pode ter entrado pra sempre debaixo da saia daquela morena que atravessa em frente ao meu carro todas as manhãs, pode ter se afogado na minha cerveja nos finais de semana, ou pode ter virado um gol no futebol aos sábados. Me perdoe, meu bem, pela partida, mas eu quero ir sem ver a sua reação ao ler esse bilhete. Eu parti porque sem paixão não dá. Quer um conselho? Faça o mesmo, só prossiga se houver paixão, se não houver não adianta nem começar, é perda de tempo e ferida gratuita. Essa coisa de paixão é mesmo uma desgraça, tem que estar em tudo; sem paixão é tédio. O que eu sinto por você é o desejo de te fazer feliz, se eu não posso fazê-lo, desejo que você seja feliz, como for. Um feliz agosto pra você.

Sem mais,

Seu bem.

Não houve nada além do tempo certo – a eternidade, meu caro, cabe exatamente num pedaço de tempo que não pode ser mais nem menos, tem que ser a dose exata pra fazer sentido. Não será eterno o que acabou, seja lá de que forma. É eterno apenas o que é interrompido, não acabado. E o amor? Ah, esse dificilmente tem conserto.

Ela se mantém sozinha nesse apartamento, chorando quando lembra daquele sorriso e de como cabiam um no outro, como se completavam. Mas sorri, quando percebe que toda essa loucura é sinal de que aquele amor de inverno foi único, nunca mais vai se repetir – conseguiram eternizar.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

Love is new

Muitos dias se passaram desde o primeiro passo - o passo para a estranha felicidade.
Nos vestimos com roupas coloridas como se esperássemos por essa festa que só havia dentro de nós, ninguém mais podia ver, nada mais poderia ser tão importante quanto comemorarmos o dia em que nos pertencemos, o dia em que nossos corações decidiram dividir e caminhar juntos.

'Eu acredito em nós dois', dizia para si mesma, calmamente, queria apenas que seu coração escutasse e adotasse essa idéia maluca de recomeçar. E vivia um dia de cada vez, um beijo de cada vez, como se nunca mais houvesse a possibilidade de amar de novo, como se nunca mais fossem se encontrar.
Faça festa em mim, comemore cada pedacinho que conquistar como se nunca mais fosse conquistar nada, como se o amanhã estivesse longe demais pra nós dois.

Que nosso reencontro seja lindo, sempre novo, surpreendente. Que nossa dor seja apenas mais uma forma de fazer toda a esperança nascer de novo - que o universo conspire por mais uma história de amor, pelo meu último romance.

'Love is old, love is new
Love is all, love is you...'

segunda-feira, 21 de junho de 2010

'No recreio'

Crueldade o que você faz com meu coração, desacelerando e fazendo quase parar; acelerando e provocando em mim a ilusão de que a vida é breve demais em seus braços, a eternidade é coisa pouca.

São olhos sedentos que se encontram e se perdem dentro um do outro, dispensando palavras e clamando por sorrisos leves, espontâneos, mãos levíssimas e um coração que não se cansa de esperar pelo próximo suspiro ou pela sua quase morte. E eu, que tinha tanto medo de morrer de amor, me descubro desmaiada, lentamente me esvaindo em paixão, naquele amor que minhas mãos escrevem, minhas palavras tentam fazer existir, mas nunca havia vivido ou sentido.
Minhas palavras me prepararam pra o amor da vida inteira, antes mesmo de pensar. Antes eram só suposições, ensaios de como seria viver um grande amor, hoje você chegou e transformou minhas palavras numa realidade, no mínimo, incrível. As minhas teorias se tornaram bobas, questionáveis, o tempo que eu tanto valorizava em pequenas ou grandes doses se torna apenas um detalhe: você sabe eternizar.

Pode ser que meu coração diabético - cheio de desejo pela doçura, a doçura intensa de Caio F. Abreu que pediu por ela 'sete vezes que é pra dar sorte...' - tropece nesse caminho ao seu lado, pode ser que sejam arrancados dele pedacinhos que jamais serão reconstituídos ou cicatrizados, pode ser que a ferida doa a vida inteira e vire um câncer e me mate, mate você em mim. A ferida que poderá matar você em meus dias, seu sorriso, seu abraço, ou apenas o conforto de caber perfeitamente em você, nos seus espaços. O amor é mesmo correr riscos, se entregar e imaginar que amanhã poderemos nos ferir e não haver remédio - só restarão lembranças, um passado que machuca e limpa ao mesmo tempo, o desejo do passado de se potencializar e se repetir mais perfeito num presente novo amor.
Que se um dia você me doer, que me doa muito, pra que eu sinta que todos os pedaços que estão machucados foram expostos e entregues inteiramente numa bandeja de emoções sem restrição.

Eu só quero saber quando foi que a felicidade te deu meu endereço.

'...E os pés que irão por esse caminho
Vão terminar no altar, eu só queria me casar
Com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
(...)
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo charme macio
Que cor terá se derreter?
Que som os lábios vão morder?
Vem me ensinar a falar
Vem me ensinar ter você
Na minha boca agora mora o teu nome
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
Nem descansar e adormecer...'
Cássia Eller

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Espera

Não é impossível, eu garanto que não é.
Sabe de uma coisa, eu tenho estado cada vez mais distante desde que você parou de lutar, desde que se acostumou. O costume é venenoso, lentamente, de gota em gota ele transforma esperança e felicidade em tédio e persistência vã. Eu espero há muito tempo por você, eu desejo tê-la ao meu lado desde quando ouvi a palavra 'amor' - quando descobri o que é amor eu decorei, guardei, escolhi as melhores definições e decidi esperar por você.
Foi lindo encontrar você, você é tão bonita. Muito bonita. Tem uns olhos de quem sabe o que quer, de quem olha e descobre verdades - você é boa com os olhos, você me desarmou. Seus olhos escondem tanta tristeza, eu só soube quando vi você chorar - você é tão incrível que eu tive medo de, em algum momento, partir seu coração e eu não me perdoaria se o fizesse - você chorou de um jeito tão sutil, o seu silêncio era imenso mas suas lágrimas tinham um som estranho, fúnebre, que fez eco em meu coração.
Eu quis te dizer que você era o meu amor mas você estava distante demais - isso não se pode gritar, tem que ser sussurrado. E eu fico desconsertado perto de você, eu quero ficar perto e sumir ao mesmo tempo, fugir pra morar em você.
Deixa eu cuidar de você?

Olha, eu prometo não te pedir nada em troca, nem que você goste de mim, eu só quero gostar de você, cuidar de você, me permite? Pensei em muitas formas de te dizer isso e poe parecer piegas dizer que eu pensei em ir à uma cartomante que prometia o amor. Eu descobri que nem as cartomantes são felizes, elas não tem um amor. Eu não teria o que dizer quando ficasse de frente pra ela - e eu já sei de tudo, os astros sabem, o tarô sabe, as cartas e tudo mais que queira saber: você é o amor que eu sempre procurei, o meu amor.
Eu quero cuidar de você, fazer você feliz e não me preocupo com o que você vai fazer de mim - o amor é justo, se eu encher você dele eu vou recebê-lo de volta.


Delicadamente se entregavam um ao outro, num toque de mãos suave, em beijos intensos, abraços infinitos e sussurros escondidos em vielas, quartos, sonhos, livros velhos e onde fosse permitido amar sem depois. Era segredo, emoção e frases soltas ditas na forma mais pura, mais linda e mais incrível que já se conheceu:
"Deixa eu te levar comigo, sem pensar no que nos cerca".

Diziam juntos, sublime, puros:
você é o amor que eu esperei a vida inteira.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Seguir adiante

'Tudo voltará ao seu lugar, moça, apenas espere'.
Quanto tempo mais se deve esperar? É importante ter ombros fortes que comportem o mundo?

Não é importante carregar bagagens pesadas, é preciso estar sempre leve... de vez em quando surgem plumas que querem apenas provocar arrepios, mas não há mais sensibilidade, não há mais leveza - a dureza já está impregnada, nada que seja simples demais, doce demais, sutil demais, apaixonante demais vai provocar alguma reação. A dureza já é constante, o costume, a rotina, a acomodação - e quem te condenou a isso?
Quem inventou que ser feliz é ser constante?
A inconstância traz os mais oscilantes sentimentos, as mais doces aventuras. Pra que pensar demais? Pra que transformar escolhas num problema?

O amor é leve, odeia rotina, é doce - inconstante. A paixão é isso tudo mais intenso, mais maluco, mais irracional - mais gostoso.

Moça, deixa eu te ensinar mais uma coisa: passe dos limites estabelecidos, tente descobrir como é engraçado recomeçar. Jogar pra cima o que te incomoda, seguir sem medo do que a estrada guarda pelo caminho - simplesmente apaixonar-se.

"Quero ver você maior, meu bem, pra que minha vida siga adiante...'



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quinta-feira, 8 de abril de 2010

memórias

Não há mais palavras guardadas, tudo já foi dito.
Tornei tudo mais intenso, mais doce, mais leve. Enquanto as coisas chegavam até você assim, eu me perdia aqui, tudo ficava cada vez mais pesado pra mim, quanto mais doce pra mim, mais amargo pra mim.

Até que ponto se pode caminhar sem colocar os pés no chão? Até que ponto é permitido abrir mão?
Até onde a indiferença pode alcançar.

Todas as tardes são cinzentas, eu sei que ainda estamos em abril, mas tem sido assim desde janeiro, desde o calor de janeiro, desde quando os pensamentos borbulham sem parar dentro de mim, as borboletas voam sem critérios dentro da minha barriga. Eu já sei que não devo levar algumas coisas tão a sério... falta meu coração entender o mesmo.
Enquanto isso eu me perco, me perco em minhas memórias, em tudo que está guardado em mim, em tudo que nunca poderão descobrir. Remexo nas minhas memórias, vivo cada situação como gostaria que fosse, mantenho os segredos mais incofessáveis e ninguém sequer suspeita.

Meu agradecimento especial a @patty_sanpi, uma leitora que ama o blog, que demonstra o seu carinho por esse cantinho aqui, uma das minhas grandes incentivadoras. Naiara, também uma leitora assídua do blog, me incentiva e me faz ir sempre além.
Quanto aos leitores, o meu carinho e a minha gratidão será sempre imensa, muito obrigada!

- twitter

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sozinho

Estar sozinho é, muitas vezes, querer abandonar-se. Quando só você não pode desistir de si mesmo, quando ninguém mais acredita, quando ninguém mais está ao seu lado, quando você descobre que, inevitavelmente, foi boa demais pra tudo, não cabia nos desejos, não cabia nas pessoas, não cabia nas palavras até os elogios não cabiam em você.
Assumir quando se é doce, e não permitir ser dominado pela amargura - meio amargo só chocolate.Os valores estão cada vez mais invertidos, é bonito ser falso, ser amargo, ignorar as pessoas e estar cada vez mais indiferente e mais frio a tudo.
O amor virou bobagem,e nem em novela é bonito ser puro e amar assim.A solidão só é venenosa quando administrada em doses altas, poucas doses de solidão são vitaminas - força, conhecimento e lealdade.Pode até doer em alguns, podem abandonar seus caminhos e desistir de seguir, sejam guiados pela vontade de ver 'o circo pegar fogo', ou 'o bicho pegar',isso é ser cruel quando está ao seu alcance evitar.

O sofrimento alheio, a solidão alheia e a inquietude não são motivos pra se divertir, o coração não pode parar.Devo confessar que ultimamente a vida tem me causado uma estranheza enorme, mas eu não penso em desistir, tenho me sentido cada vez mais estimulada a continuar e remar contra a maré - ninguém pode roubar o que está bem guardado em mim.


Gente, ultimamente eu não estou muito inspirada... Lembrei que um professor, ano passado, fez uma conta louca, uma numerologia lá, e me disse que 2010 não seria um anode muita produção, seria um ano de mais projetos, construção, mais ação e menos introspecção - tomara que ele só esteja certo em parte, quero continuar atualizando aqui, mas tenho estado cada vez mais exigente, nunca acho os textos suficientemente bons, pra mim estão sempre superficiais. Volto sempre, não com a frequência muito alta, mas volto.

Muito obrigada pelos comentários, vocês me ajudam a ir sempre além do que espero. Obrigada aqueles que não tem blog pra que eu responder, ou que tem a página bloqueada. Leio sempre todos os comentários com carinho e respondo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pensar


Pensar é um dos princípios pra enlouquecer.
Não quis mais agir como quem calcula demais, ou pensar no quem tem a perder quando escolhe. É mais comum cansar no meio do caminho do que se imagina, e quando se percebe que a vida, de fato, não é um filme e fingir não é pra qualquer um.
Só finge quem é forte demais, quem está cansando tende à entrega.
Pensou se era cedo pra tirar conclusões ou era apenas devaneios de quem está cansada demais - mas não, achou que fez sentido.
Cansou, desanimou porque recebeu de presente uma decepção - e decepções sempre vem num embrulho atraente mas recheada de espinhos que ferem, alguns tão profundamente que viram câncer - desistiu. Nunca esperou muito das pessoas, mas algumas expectativas se camuflam muito bem numa segurança estranha, num comodismo e na sensação de que as coisas estão bem, já se pode descansar. Nunca se pode descansar, os caminhos nunca são seguros - o amor também não.



Opa! Estava com saudade de vocês mas garimpando alguma coisa pra postar aqui, eu sinto vontade de escrever, sento e posto. Tá mais a minha cara, mais moderno.
Ganhei um selinho de Bruna, uma grande amiga!



Sete coisas sobre mim:
1. Impaciente;
2. Desconfiada;
3. Orgulhosa;
4. Prestativa;
5. Dotada de um humor nem sempre compreendido;
6. Chico Buarque;
7. Clarice, Pessoa e Drummond.

Presentear sete blogs, vamos lá:




4. Midi


Ah, vão ser só cinco... queria repassar pra Bruna mas suspeito que não possa. Tô com sono.

=)


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

*

Chega sempre aquele momento em que tem que se decidir entre ser sociável e ser feliz - tudo pode transbordar sem aviso prévio, pode chegar ao ponto máximo.

Deixa eu te fazer feliz e não me faça muitas perguntas, não me faça pensar sobre a felicidade muito menos tentar calcular tudo que eu quero deixar subentendido. O amor deixa sempre subentendido, quando se questiona demais o encanto se cansa, o fascínio tira seus pedaços aos poucos e não há mais amor. Sentir é muito melhor que pensar.

Nesse momento eu não quero mais ser aquilo que tem sempre uma resposta e um motivo certo para estar - eu quero ser feliz. Porque se importar com alguma coisa que não seja você e a felicidade? Não tenho medo que pode vir, quem tem desejo não enxerga aquilo que não é necessário.
As pessoas vão sumir, imergir na areia movediça dos desejos, morrer agonizando, sendo sufocadas por uma estranha felicidade que ainda incomoda demais.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo

O ano é novo mas as maninas são as mesmas, as dores são as mesmas e o que muda é só a sensação de recomeço.
Recomeço, a gente pode sentir que tá começando agora, tudo de novo, que o tempo nos deu uma chance nova de fazer tudo de novo.Mas é sempre bom lembrar que tudo que foi plantado até agora, certamente vai brotar. Se os frutos são doces ou amargos cabe ao semeador estar consciente do que plantou, do que esperava colher. Inevitavelmente há colheita, não há como fugir dela, não há como se esquivar quando elas brotam e daí em diante o que muda é nossa atitudediante dos frutos - mudar as sementes ou se acomodar.



Se em 2010 nós estivermos distantes, lembre-se que é apenas espaço - o espaço é pequeno diante do amor. O seu sorriso vai brilhar pra mim,vai me orientar, vai me fazer sorrir sozinha seja num ônibus lotado ou numa noite quente com insônia. O seu abraço vai saber me completar, vai saber as minhas medidas, vai me tirar do sério, vai me fazer feliz, mesmo quando seus braços não puderem estar aqui, estiverem loge. O amor rompe as barreiras, o espaço, o tempo e as medidas estranhas que eu criei pra te descobrir.O amor me faz entender que mesmo distantes estaremos juntos, fortes, apaixonados e felizes - esperando um pelo outro.2010 me faz não querer repetir erros, me faz recordar cicatrizes e querer fazer você feliz.O amor é o jeito certo de caber no incabível, de dizer o indizível sem palavras, de aprisionar sem correntes e flutuar sem ter quando.
Feliz 2010 aos leitores, aos anônimos, aos que comentam, aos que cobram, aos que são doces e aos amargos também.
Que neste ano a gente não desista de amar, não esmureça tão fácil e sejamos tomados pelo desejo de crescer - um coração grande quando sabe acolher se torna uma dádiva.
Dê o que você quer receber - isso é infalível quando não se espera uma atitude imediata.
Plantar é mais seguro que colher.Obrigada a Maurício, meu amor, meu príncipe e o responsável pelas confissões apaixonadas. Te amo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Amor e caminho

O quarto está vazio e é como se seu silêncio gritasse nele o tempo inteiro. Pelas portas, pela janela, pela estante - as roupas conversam e se combinam esperando o melhor jeito de te combinar, os sapatos ensaiam os passos pra chegar mais perto - eu não ajo mais.
Arde em mim como se fosse verdade, a lembrança que eu vesti de mentira, que eu contei pra mim como mentira, que eu menti e camuflei - te escondi. Não há mais nada, nem palavras, nem um tom de luz que me faça acreditar por um minuto que o ambiente está pronto, você não vai voltar, não há o que fazer, nada físico alterará as rotas.
Eu formulo mil teorias, caio num sono profundo, mexo as pernas, fecho os olhos, bebo água, bebo mais água ainda, acordo e você não volta, olho e não te vejo mais. Te transformo, novamente, numa lembrança.

Mas o amor, quando é pra chegar, se veste na forma de decepção, de onde menos se espera ele surge e quanto menos se espera mais ele arrebata - corações sempre limpos, não esperam por nada e por isso sentem tudo - o máximo de sensações, de gostos, de toques. A delicadeza de um olhar e a maneira mais cruel e sutil de dizer sem palavras um 'eu te amo' inconfundível, inesquecível, desses poucos que explodem dentro e quando sai enche quem ouve e quem disse - transforma.
Você quando me amou não me pediu pra ser simples, nem nada. Quem ama não pede nada. Há apenas mais um caminho, cheio de pedras e obstáculos suficientes pra eu tentar ser acolhida por você, pra você me provar que seu colo tem o tamanho exato da minha solidão.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Muito mais que uma jornada, uma caminhada, passos largos - a sensação exata de vida.
Como se o amor tivesse a sua forma, o seu jeito, o seu cheiro e a sua voz.
Se o amor é alguém pra alguém, é você pra mim.

Alguma coisa abandonada na estrada as vezes me faz sentir pesada, como se o peso da bagagem aumentasse cada vez que eu penso no que ficou pra trás, com olhos pesados e leves ao mesmo, com sua imensa contradição. Sonhos não são pesados quando são o foco, eles pesam quando são pensamentos, distantes, muito longe de se realizarem. Muito longe da fé do sonhador.
Já não há mais espaço pro medo, pra insegurança ou pra querer te buscar de novo - não há mais tempo, nem beleza pra voltar atrás - só restou aprendizado, querer mais que isto é regredir pra sempre.

A bagagem não pesa mais porque não se pensa mais no que ficou, os olhos estão fixos - olhar pro lado nem sempre significa descoberta - o coração está sereno, a alma mais leve. A estrada permite tropeços mediante olhos atentos, nunca repetidos.


A minha dor me inspira e me faz contar pra mim o que eu não quero me dizer.


. Tava mesmo com saudade de postar. =)
. O twitter me roubou, fico lá presa nas pequenas postagens, mas voltarei a postar com mais frequência.
. Na UEFS só vamos ter férias em fevereiro, para os mais otimistas, final de janeiro - eis o motivo do meu sumiço - muito trabalho, resumo, prova, seminário e uma pessoa (quase) morta.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

coração

Acredite - eu não quis te deixar à beira do caminho, mas eu quis eternizar - por isso que você ficou alguns passos atrás de mim.
Não saia de dentro de mim, pare de tentar se libertar, deixa eu te levar e pegue no sono. Pegue no sono, feche os olhos e por mais difícil e pesado que seja pra você - confie em mim. Eu prometo estar sempre dentro do seu coração, da sua cabeça, quando eu estiver com insônia eu entro nos seus sonhos pra colorir suas noites bem dormidas.
Eu prometo não deixar de prometer, eu prometo não deixar a solidão me abraçar tão forte, eu prometo amadurecer, amanhecer, ser o sol quando você lembrar de ser cheio, esquecer de insistir em ser minguante - vamos amanhecer, vamos anoitecer, vamos nos pertencer. Eu prometo voltar, e se eu estiver mentindo meu coração manda dizer que se eu preferir ficar à beira do caminho ele não errará o passo - eu não, mas ele promete.

Num coração se pode confiar.


. Muito obrigada pelo carinho, pelos leitores asíduos, pelos perfis com trechos dos meus textos. Eu me sinto feliz.
ah, tô no twitter!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

-solidão

Não me olhe com esses olhos de quem não quer dizer muita coisa, eu não gosto de ameaças, de enigmas e indiretas, eu prefiro as palavras vãs e diretas.
As vezes eu sinto esse seu vento frio me envolvendo, o vento gelado do rastro que você deixa e do sorriso que você sempre se nega em me dar. Eu vejo seus oilhos fundos, amarelados e o seu vestido longo, colorido e não encontro seu final, o fundo preto me confundiu, a noite me enganou ne você me abraça com esse corpo tão frio, e me esfria lentamente, me arrepia.

Minha querida solidão, doce, amarga, desejada e temida, solidão;
Não fique muito tempo por perto, a sua frieza me incomoda, a sua doçura me enjoa e as suas asas provocam em mim uma sensação ruim de me entregar, de me deixar levar por você pra alguma terça-feira desse ano, ou de 2013. Dois mil e treze razões pra não te manter por perto. São muitas razões. Se você demorar demais eu te procuro, se você fugir eu vou te encontrar - eu também tenho asas.
Solidão sem amor é morte, a falta de amor se confunde com a falta de sorte mas a certeza de pisar firme não há vento que confunda.

.tô no twitter. ;)

sábado, 19 de setembro de 2009

Intenso

Acredite, tudo é para mais. As coisas podem ficar intensas quando tudo está calmo, a brisa está lá fora mas dentro de mim é como se houvessem tornados sem fim e sem senso de destruição, tornados loucos, famintos, velozes. Que se descontrua tudo que não for sólido demais, que não seja o suficiente pra se manter de pé.

A solidão nunca me fez tão bem, se conhecer, perceber que há nuvens que pairam há algum tempo acima de minha cabeça e que um sopro, alguns gritos, ventiladores não serão sufucientes para afastá-la, apenas mudanças. Mudanças que vem lá de dentro.



Pode ir mais fundo, não se canse disso. O superficial é para os fracos, quase cegos, perguiçosos e conformados. Mas a profundidade é muito mais do que um lugar a ser alcançado, é maior que um desejo ardente, é para quem tem o terreno do coração fértil, quem não pendura as chuteiras mesmo quando se sente que o jogo já está no final. Nunca é o fim do jogo, o fim confunde-se facilmente com o intervalo e intervalo é tempo de guardar a ansiedade, controlar os ânimos e aguardar ansiosamente pelo fim de cada minuto de espera e o retorno das emoções.

O jogo não tem fim.

As nuvens sim, sabem a hora certa de passear.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Amizade

Eu escolhi andar com você, mesmo sabendo que você não liga para guarda-chuvas e nem se importa com o horário certo de chegar.
Eu já sabia que você gostava de confessar besteiras no meio da noite, enquanto eu adormecia você conversava sem parar e eu perdia o sono e ganhava uma boa conversa com você.
Não gosta de salto alto, de roupa moderninha, de maquiagem e nem de futilidade - e mudou.
É bom sentir o quanto de você ficou em mim, o quanto eu nem sabia mas você deixou aqui, dormindo. É bom sentir o seu jeito, a sua alegria acordar dentro de mim.

E muitos vieram, passaram por mim como se fossem como você - melhores amigos. Vestiram roupas coloridas, até me fizeram perder o sono, dividiram as contas, desabafaram, me ouviram e quando eu acordei não estavam mais lá. Eu não te via como antes, assim de perto, muito pertinho. Mas mesmo longe deixava seu coração, suas palavras em mim. Não há mais como negar - amizade é mesmo mais que amor.
O sentido da palavra não é muito conhecido, a palavra não é íntima, não é tão popular quanto amor, mas é mais forte - quem sente, concorda.
A verdade é que eu ainda espero ter você por perto de novo, pegar elevador com você e morrer de rir da vida alheia, como se a felicidade fosse pouco pra nós duas. Sem competição, sem fugas, com a distância que se torna pequena diante de tanto amor, tanta AMIZADE.

O ônibus sem você não tem mais tantas poltronas, o elevador não tem botões, os fatos são só boatos, os meninos não são japoneses, as bugigangas estão caras, as maquiagens estão sem tom.
O coração está com saudade.

Para Mariana, a eterna melhor amiga que faz aniversário hoje.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Carta

Querida menina dos olhos pequenos e bobos que brilham demais,


Estou te escrevendo porque não cabe mais em mim o desejo de te ver de perto, de te tocar e de concluir se você é mesmo uma miragem, algum fruto bem doce da minha imaginação ou é (para o meu completo espanto, desespero) real.
Desde que você passou, deixou aquele pedaço de você me mim de um jeito tão sutil eu não pude mais ter paz, você levou ela consigo e eu preciso de ver- preciso da minha paz de volta ou pelo menos preciso tentar capturá-la, estou precisando. Ah, a minha paz, apenas um doce suspiro.
Esse seu jeito desleixado de andar, as suas sandálias que passam uma idéia tão maluca, parece que elas nem queriam estar ali, estão condenadas aos seus pés - seus pés estranhos, bonitinhos, feinhos, seus pés. Seu vestido bonitinho, parece até uma boneca viva, no corpo errado enquanto caminha. Sabe, você não passa nenhuma idéia de malvadeza, crueldade, eu não consigo pensar em você brava, brigando, inimiga de alguém, estou realmente curioso pra te saber. Eu sei que devo ter te mistificado, mas isso é só um pensamento rápido, não paro e me entrego a isso - você é meu desejo de conhecer, a personificação de um desejo voraz. E se o amor existe ele é qualquer coisa parecida com você, tem a cor dos seus cabelos, o brilho dos seus olhos e o molejo desajeitado e tão atraente dos seus quadris enquanto caminha distráida, tropeçando numa sequência inacreditável, sorrindo sozinha com fones do ouvido, sem dizer um palavrão.
Eu não quero beijar você, seria te violar demais, eu só quero sentir você num jeito manso, num ritmo lento, numa brisa leve e num abraço quase se apertar, cheirar você, seus olhinhos, seu pescoço, tocar seu rosto apenas com a ponta dos dedos - te sentir plenamente. Fazer você se arrepiar, e eu confesso que eu penso muito em como você deve reagir a um arrepio, se você suspira, qual o seu gemido quando se espreguiça, como arruma os cabelos em casa, se usa o computador, se gosta de iogurte, leite, queijo e pão. Se gosta de mãos dadas, se sente calor com frequência ou sente frio antes das oito da manhã.

O motivo desse encontro é só isso- eu quero minha paz de volta. Se você puder deixar ela fácil pra quando me encontrar me devolver logo seria melhor, mesmo. E eu não sei se é impressão minha, mas eu sinto que você sente essa minha curiosidade, eu sinto que você foge de mim, não está onde sabe que eu estou ou supõe que eu estaria, evita me encontrar. Eu estive pensando que você tem medo de que eu retribua da mesma forma - leve alguma coisa de você. Mas não moça, eu não quero te cobrar nada, sinta-se livre e passe por mim quantas vezes for preciso,mas antes disso por favor devolva a minha paz.
Pare de existir enquanto não o fizer, não te incomoda tanta paz?
'...falta entender o que me faz pensar que só ela pode ter tanta paz pra me dar, ninguém mais tem tanta paz.'
Eu não quero te decifrar, seria muita pretensão e ainda não me sinto preparado pra te ver sorrir, seria forte demais. Apenas devolva a minha paz, depois disso eu posso me sentir mais seguro, mas espere eu te dar um sinal e aí você sorri, provoca em mim o êxtase, o maior pico de emoção que alguém poderia atingir. Pode embrulhar a paz numas palavras, embrulhar num palpel e me entregar, pode jogar pela janela, pode colocar debaixo da porta.
Eu quase não existo, eu quase sou você de tanto que te imagino.

Com carinho,
o cara dos 'olhinhos infantis, como os olhos de um bandido.'

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Reencontro

Ontem ela o viu atravessando a rua com seu jeito manso, que tanto a iludiu. Atravessou em frente ao seu carro vermelho, mas não a viu - ela estava com os vidros fechados, no frio que era só seu enquanto o mundo derretia-se sob o sol da tarde. Ela se assustou, nunca se pensa sobre 'quem vai atravessar em frente ao seu carro', ele era a surpresa que ela não queria ter, era o andar manso que ela não queria ver, aquele jeito de andar olhando para os pés e estar sempre desatento ao que acontece ao seu redor, ela sentiu tanta saudade e tanta vontade de dizer alguma coisa, mas deixou isso passar, junto com ele.
Por um momento pensou em descer do carro, e durante os trinta longos segundos que se espera no sinal ela ia olhar nos olhos dele e contar para todos os anônimos parados atrás dela, ao seu lado e aos que atravessavam as coisas que guardava a respeito daquele pedestre madilto.

'Ele é meu ex-namorado, namoramos e terminamos quando eu era apenas uma menina. Nos reencontramos e namoramos novamente, nos apaixonávamos todos os dias um pelo outro, moramos juntos por um ano, mas ele me deixou. Não sei ao certo se eu fui traída, mas eu me sinto muito traída. Me sinto ferida pelas coisas que ele não me disse enquanto ia embora lentamente, cada dia um pouco mais longe de mim, cada noite surgiam milênios entre nós naquele espaço tão curto da cama. Não me molhe assim, menino, como quem não me conhece ou não tem culpa ou nem sabe o que dizer. Eu queria que você fosse digno de me dizer porque partiu e onde está agora, de me dizer pra onde você ia a cada dia, onde seu coração descansava enquanto seu corpo estava comigo. Eu sofri ao perceber que você não voltava, deixou seu coração e o seu amor que era só meu, levou de mim de vez e entregou a outro alguém eu não queria ver mas estava cada vez mais explícito, mais forte em mim. Seu coração ficava com ela, cada dia mais e mais, e quando seu corpo foi buscar seu coração eu quase morro na convivência com a sua ausência, que era mais marcante e mais presente que você nos últimos dias.
Eu só quero te dizer que a sua falta dói em mim como alguma dor muito grande que as palavras não sabem dizer. Tudo que eu queria era sentir você de volta, nem que fosse apenas o seu corpo, o seu coração eu me encarregava de buscar nas mãos de alguma qualquer, eu não quero mais saber se há valor em mim quando tudo que eu queria era você de volta, queria o seu jeito de mexer nos cabelos, de andar olhando para os pés e de sorrir das bobagens como se fosse a melhor piada do século. Eu amo em você o que eu não amo em ninguém - a sua frieza, o seu jeito de me maldizer, de me ignorar e de me deixar sem dizer nada como se fosse qualquer bibelô que a gente enjoa de ver na mesma estante por tantos anos e se desfaz dele, se renova, eu amo a sua inconstância que tanto me dói. Eu amo sentir você me doer."

Pensou muito nessas palavras que tanto guarda, bem guardadas e pacientemente esperando o momento de saírem e fazer eco na vida daquele rapaz tão displicente, que nem sabe que a dor é tão grande assim, cafajeste sem querer, por vocação.
Mas aumentou a música que tocava no rádio, voltando a sua atenção para sintonizar direitinho a estação, não olhar mais para aquela faixa de pedestre, deixar que ele atravesse e leve consigo toda a sua desatenção, tudo que ele levou dela mas ele nem sabe.
Todo o seu amor, vestido de ódio, desprezo e fim de tarde ensolarado.
Todo o seu bem-estar que ela tanto quer manter, quando a sua paz ele também levou, ladrão maldito.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Decifrar

Ela não se permite ser decifrada, não é orgulho, presunção, nem jogo e muito menos necessidade de aparecer - é apenas o sentimento de não querer ser decifrada fora da hora, de não querer se sentir invadida. É difícil explicar isso pra quem não tem o ouvido pra estrelas, o ouvido treinado, aberto as surpresas.
Me conhecer é uma questão de sorrir aberto e ser cativante, de ser cativante pra mim - de ser relativo. Roubar flores e declarações de amor, fazer alguém conversar sobre o segredo que oprime numa tarde, na primavera, também é uma questão de invadir tão docemente que quando se vê já está lá, naquele espaço que o esperava, rasgar com talos de rosas, cortar com pétalas e abraçar com asas -isso é conquistar, isso é entrar e decifrar.


Mesmo quando não é amor ou até quando é amor e o espaço do outro não se forma dentro de si, está morto, imóvel. É melhor guardar algumas sensações pra um pico, um êxtase, uma vez só ( e quem tem medo de ser letal?). Coincidentemente ou não a vida também é letal, docemente letal.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Conselhos

Você já sabia que esses caminhos não ia dar em um bom lugar, mas quis insistir, tentar de novo, por um momento se encantou com os mesmos olhos cativantes - aqueles olhos que te fizeram penar por tanto tempo.


Se você soubesse, se você me ouvisse, raciocionasse isso não teria virado essa paixão louca, esse poço de esperanças vãs, acredite - eles não mudam nunca, nós nos apaixonamos, mudamos por eles e achamos que eles mudaram, mas não; eles fingem que mudam, por uma semana, pra enganar seus sentidos, você caiu. Todo mundo cai.


E agora você vem com essas lamúrias, esse papo de quem quis se aventurar por esse caminho já tão conhecido, tão difícil de se livrar, você que já tinha se libertado, insistiu em voltar apenas para olhar como quem nada quer, mas aí está você, estirada feito boba de novo na mesma estrada.


Mas é mesmo assim, não adianta mais chorar- tá, chore só por hoje. Tinha tudo pra ser muito bom, uma aventura daquelas de cinema, mas não - virou postagem de blog, talvez alguns rabiscos na sua agenda, algumas horas no google pesquisando se é isso mesmo que você desejava. Fuja, isso não é ruim. Não dê satisfações, não ponha um fim quando ele nem quis que você soubesse quando começou, apenas fuja. Suma, e deixe um gosto bom de alguma coisa passada, que ele teve mas não soube bem aproveitar. Deixe que fique agora uma dúvida solta, pairando, não se importe.





Há quem prefira os cachorros, mas eu não, prefiro as borboletas,lindas, coloridas e povoadas de liberdade de uma asa a outra, talvez seja bem isso - a liberdade- quando a gente admira muito algo pode ser o desejo de saber lidar com isso, não a admiração (de fato), mas a ânsia da descoberta. A minha preferência pelas borboletas perdura, elas podem voar (ou não), podem me surpreender dançando aquele ballet colorido e alegre ao meu redor numa manhã que as coisas pareciam não dar muito certo, pode ser que eu passe anos sem ver uma delas de perto, nem mesmo as amarelinhas que tanto me animam, mas ainda assim eu vou gostar delas. Liberdade é uma questão de saber lidar, desejar é clichê - quando se tem nem se sabe o que fazer, o egoísmo do coração fala mais alto, querem estar presos mesmo, querendo tanto ser livres.










'se eu fosse a sua
e não mais uma
as quatro luas eu lhe daria
pra me tornar sua maria
uma canção eu cantaria
minha resposta ao que eu ouvi
( a mais bela melodia )
foi roubar pra minha história
sua poesia de outrora
não por jura ou promessa
nem perdão ou vaidade
debaixo da condesseira
sua maria de verdade'
Valsa pra Biu Roque- Céu
.Obrigada ao anônimo sempre tão simpático(a); =)
.Obrigada pelas visitas e pelos textos colocados nos perfis do 'orkut', é bom saber que de alguma forma vocês se definem através das minhas palavras.

domingo, 12 de julho de 2009

Paixão

É, exatamente assim - andar descalço na beira do mar, aquela areia úmida, a água vem, assusta e vai embora.


É como se a vida não fizesse questão de nos incentivar a viver, a fazer de um novo jeito, ninguém mais se importa- aceite isso, não seja tolo. Não se afogue nas pequenas e repetidas doses de café forte e sem açúcar, não fume mais de três cigarros, não faça compras compulsivamente e não se esconda dessas verdades.





Chega um tempo em que as coisas se tornam estáticas- e já não se sabe se há muito pararam de se mover, ou nunca se moveram - as pessoas se assustaram, tremeram e sentiram medo que nunca mais houvesse movimento. O movimento quem faz é você. A maré também fica calma, os olhos se cansam de olhar sempre na mesma direção e quem foi que disse que o coração também não cansa?


Mas o remédio para o coração cansado é a paixão, não precisa se voraz, nem calma demais, nem quente demais, pode ser platônica, pode ser por doce, pintura, esporte, livros, músicas velhas e até (as mulheres bem sabem) a paixão por coisa nenhuma, apenas a sensação de estar apaixonada, mas não se sabe pelo que, essa é a melhor, apresenta menores índices de sofrimento depois de acordar.





E pra que acordar? Pra sofrer? Descobrir que toda realidade, tudo que se fez, viveu, cantou, comeu, gritou foi apenas um vento?


Não há quem nos proíba de sonhar a vida inteira, as vezes abre-se o olho bem discretamente, só um poquinho, observa-se um pouco de realidade e volta a sonhar, a realidade é pra ser observada de leve para quem quer mesmo ser livre e alimentar as possibilidades de sonho.





"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você."


Caio Fernando de Abreu

sábado, 11 de julho de 2009

Solidão?

Se o telefone tocasse hoje eu estaria mais solta, mais graciosa, e te falaria as coisas que eu não diria numa manhã qualquer.
Há sempre um momento em que alguém se enche de coragem e estaria até disposto a gritar - mas nesse momento sempre se está só. A solidão é boa, nos deixa fortes, corajosos, prontos pra falar, loucos para ouvir, imaginando possibilidades ao longe.

Estar só é estar pelo avesso e não perceber, é deixar que se derramem as angústias do setembro que passou, do outubro que foi lembrado mas ninguém percebeu, ninguém. É deixar que o café, ainda que muito forte, desça pela garganta e inunde tudo, até as idéias - estar só é estar esperto, atento. Não é que eu não sinta falta das pessoas - eu até sinto falta de algumas - mas eu não me desespero, e se o faço ninguém vê, é bem no meu interior, onde as idéias se escondem e se inquietam também. O meu desespero sutil de não deixar que escapem as chances de estar perto. A minha cara de muitos amigos, talvez esconda minha solidão e meus muitos lamentos. Mas não há motivo para preocupação - eu estou mais forte, acredite.
Não dói como pensam.
Eu sei, eu não sei ser charmosa.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Distância

Não que ela quisesse se envolver, mergulhar fundo não estava nos seus planos.
Sempre foi intensa em tudo, até em olhar ao redor e saciar a sede com água gelada, mas havia decidido ser suerficial, andar na ponta dos pés, colocar apenas a ponta dos dedos e revelar apenas aquilo que se pudesse ver, mais nada além do visível.

Foi diferente quando descobriu que pisar com os dois pés descalços é possível, que tudo é possível diante do querer do corpo, do suplicar da alma, da descoberta surpreendente da capacidade de guardar, se transformar, ser quem quiser no seu próprio tempo e enlouquecer sem ter porque. Lentamente a saudade se transformou em amor, o que era pra ser paixão virou amor, mesmo longe dele tantos quilômetros ela se apega ao reencontro, sabe que não existe ninguém mais interessante que ele em todo o mundo, sabe que será sempre a mais bonita, a mais incrível e a inesquecível, enorme, 'saudade-amor'.
Não há mais distância, os corações quando estão próximos fazem o corpo sossegar, estar sóbrio, guardado para quem chega, os olhos e cada lance e possibilidade de sedução estão guardados para a volta - mesmo quando não se sabe se haverá volta, mesmo que ele nunca vá chegar - ainda há quem o aguarde com a cabeça, o coração, os olhos, a alma pronta para receber.


Para ela, a menina que ama quem mora longe.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

confissão

Hoje é o dia de escrever vomitando aquilo tudo que se digere (mal digere) por todos os dias, até aqueles que não tem fim.
Perdoem a minha ingratidão e o meu jeito sutil de dizer verdades sorrindo, agindo em segredo, meu jeito de me libertar e não me prender ao que fazem por mim, mas apenas ao que meu corpo quer agradecer, minha alma quer retribuir.
O meu jeito de agradecer aos ingratos e desagradar aqueles a quem eu devia tanta devoção. A entrega secreta e desordenada, o meu jeito de se sentir livre e tudo isso porque eu sei que quando eu não viver mais eu vou estar viva em pedaços, distribuída sem critérios em alguns, que talvez nunca se saberão.
Enlouqueça, não esqueça que pode ser a única chance de enlouquecer. A paixão traidora pode ser a saída, o amor certo pode ser o refúgio, a dúvida é o consolo e o riso frouxo é a recompensa.
Não há mais como me esconder de mim, escrever me deixa assim sem pudor, sem roupas, olhos fechados e a sensação de respirar fundo e sentir tudo que se pode sentir.

Não vou reler, gosto que as coisas estejam cruas, esteja a essência, mesmo que sem a estética.

sábado, 30 de maio de 2009

Vida, a volta;

Não é que seja mais uma mistura, é mais um questão.
Entre tantas coisas que já se sabe sobre a vida e seus mistérios, numa primeira chance de colocar em prática esquece-se tudo, a prática é o esquecimento proposital da teoria - a verdadeira prática é a entrega.
Criaram leis, acredita-se nessas leis mas as pessoas se esquecem de si mesmas, se entregam a um monte de teorias e acreditam que isso é a vida. Mas a vida é uma grande interrogação e quando os caminhos parecem óbvios demais, quando alguém pensa que já sabe onde vai dar tudo muda de rumo - e eis a vida, a roda da vida;
O melhor é estar sóbrio, estar consciente de que não se sabe mais nada, não buscar respostas mas deixar que as respostas encontrem você - é bem mais eficiente. Se conhecer é melhor que estar cercado de amigos e sentir saudade é muito bom pro coração, no final você percebe quão grande é o valor de grandes pessoas.

E eu ainda estive pensando, que diante de todas as mudanças que tem acontecido na minha vida, eu vou continuar deixando que as palavras me levem, escrevendo por paixão e pra me sentir bem. Quando os olhos são bons, tudo que se vê é bom, quando o coração é bom fazê-lo pulsar é mais gostoso, o frio na barriga vale mais a pena, o brilho que faz os olhos atraentes também ofusca.

Voltei de vez, estava com saudade!

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- Participei da Bienal, minha redação foi publicada e foi muito lindo. Cada minutinho que eu estava lá eu me lembrava do blog, do quanto as pessoas que comentam aqui me incentivaram a estar ali (num lugar tão alto!), e vou me esforçar mesmo com um computador não tão bom a estar sempre aqui com vocês (pelo menos uma vez por semana).

-Trabalhando e estudando, numa correria enorme. Saio de manhã (6:30h) e só volto pra casa à noite (20:00h). Antes de dormir, ou na madrugada das sextas eu venho aqui postar. Sinto muita saudade daqui, dos comentários, dos blogs e do bem que isso me faz.

É isso, não precisa mais me cobrar:
'eu voltei, e agora é pra ficar...'
HAHAHA
beeeeeijo =*